Trump fecha acordos comerciais com União Europeia, Japão e China, mas deixa Brasil de fora

Com o prazo se esgotando, Brasil segue sem acordo e corre risco de sofrer tarifas de até 50%

A cinco dias do prazo final imposto pelos Estados Unidos para a negociação de tarifas comerciais, o Brasil segue sem acordo com o governo do presidente Donald Trump e está cada vez mais próximo de ser atingido integralmente pelo chamado “tarifaço”.

Neste domingo (27/7), Trump anunciou em Edimburgo (Escócia) que chegou a um entendimento com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. O pacto prevê que a União Europeia comprará US$ 750 bilhões em energia dos EUA e aumentará investimentos no país em US$ 600 bilhões. A medida é semelhante a acordos já fechados com Japão, China, Reino Unido, entre outros.

“O acordo vai permitir reequilibrar o comércio entre os dois blocos”, afirmou Von der Leyen. Já Trump classificou o entendimento como “o maior acordo comercial de todos os tempos”.

Brasil fica para trás

Enquanto outros países conseguem reduzir ou suspender tarifas, o Brasil continua fora das negociações. O país foi alvo da taxa mais alta anunciada por Trump: um aumento de 50% sobre todos os produtos exportados aos EUA. Até agora, o governo brasileiro não conseguiu avançar nas conversas com Washington.

Além disso, o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) abriu uma investigação contra o Brasil, a pedido de Trump. A Casa Branca alega que há práticas comerciais desleais, citando, entre outros pontos, disputas judiciais envolvendo empresas digitais.

Nos bastidores, interlocutores apontam que o impasse tem motivação política. Trump tem demonstrado apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e, segundo fontes diplomáticas, tem evitado tratar o tema com o governo brasileiro atual, que tenta negociar tecnicamente.

Entenda os acordos já firmados pelos EUA:

  • União Europeia: tarifas caem de 30% para 15%, com foco em setores automotivo, farmacêutico e agrícola.
  • Japão: tarifas foram reduzidas de 25% para 15%; Japão investirá US$ 550 bilhões nos EUA.
  • Reino Unido: acordo prevê cotas para montadoras e redução de tarifas para aço, etanol, carne e setor aeroespacial.
  • China: pacto preliminar suspende tarifas por 90 dias, com reduções mútuas significativas.
  • Indonésia, Vietnã e Filipinas: firmaram acordos com tarifas entre 19% e 20%, abaixo do que inicialmente era previsto.

O prazo final para evitar as tarifas é 1º de agosto. Segundo o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, não haverá prorrogação. A expectativa agora é sobre se o Brasil buscará uma solução de última hora ou será isolado em meio à nova política comercial norte-americana.