Prefeitura afirma que intervenção exige desapropriação e alerta para riscos de obras sem acompanhamento técnico.
Moradores do bairro São Geraldo, em Pouso Alegre (MG), convivem há anos com o esgoto a céu aberto em um trecho não canalizado de um córrego que corta a comunidade. Cansados de esperar por uma solução do poder público, eles estão se organizando para realizar a obra por conta própria.
Com a chegada do período chuvoso, o problema se agrava, principalmente na área localizada atrás do Rio Sapucaí. Os moradores se sentem desamparados, mesmo pagando IPTU e taxas de água e esgoto à Copasa.
“Ninguém toma providência. A gente vê obras em lugares que já têm asfalto, no Centro, enquanto aqui, onde realmente precisa, nada é feito. A gente fica abandonado. Os impostos vêm, mas não temos retorno”, desabafa o morador Luciano Aparecido Anastácio.
Diante da falta de resposta, a comunidade decidiu agir. Com a ajuda de doações e a força dos próprios moradores, que vão trabalhar na execução, a ideia é instalar uma tubulação que evite que a água invada as casas.
“Nos reunimos e vamos fazer esse serviço com recursos da própria comunidade. Precisamos de materiais. Vamos cavar e instalar a tubulação. Só queremos impedir que a água entre nas casas”, afirma um pedreiro que mora na região.
O que diz a Prefeitura de Pouso Alegre
Em nota à EPTV, a prefeitura informou que uma equipe técnica avaliou o local e identificou que se trata de uma obra de alta complexidade, que depende da desapropriação de imóveis.
Segundo a prefeitura, o problema foi agravado ao longo dos anos com a realização de construções irregulares sobre canalizações existentes e o aterro de áreas de escoamento, o que comprometeu a drenagem natural. Além disso, o bairro fica em uma região mais baixa em relação ao nível do rio, o que aumenta a dificuldade técnica da obra.
A prefeitura ressaltou que já está planejando o processo de desapropriação e fez um alerta: intervenções feitas sem respaldo técnico podem agravar os alagamentos em outras casas, principalmente em épocas de chuva. O município frisou ainda que as obras devem ser realizadas por profissionais qualificados e que, caso haja prejuízo a outras residências, os responsáveis poderão responder pelas consequências.
O que diz a Copasa
A Copasa informou que a canalização de córregos e drenagem pluvial é responsabilidade da prefeitura. A empresa atua apenas com abastecimento de água e coleta de esgoto. No bairro São Geraldo, mais especificamente na Rua Sapucaí, a Copasa é responsável pela rede de água e esgoto.
Sobre a cobrança das tarifas, a companhia afirmou que segue as regras da ARSAE-MG (Agência Reguladora de Serviços de Abastecimento de Água e Esgotamento Sanitário de Minas Gerais). A empresa explicou que, mesmo quando o imóvel não está ligado à rede de esgoto disponível na rua, pode ser cobrada uma tarifa fixa pela infraestrutura existente.
Por fim, reforçou que a ligação do imóvel à rede de esgoto é gratuita e pode ser solicitada pelos canais de atendimento da empresa.

