Pela terceira vez na história, os Estados Unidos decidiram se retirar da Unesco, a agência da ONU dedicada à educação, ciência e cultura. O anúncio, feito nesta terça-feira (22/07), marca a segunda retirada sob liderança de Donald Trump, que já havia tomado medida semelhante em 2018, durante seu primeiro mandato, alegando viés anti-Israel por parte da entidade.
O retorno dos EUA à Unesco havia ocorrido apenas em 2023, durante a gestão do democrata Joe Biden, após cinco anos de afastamento. Agora, em novo mandato, Trump volta a adotar uma postura crítica em relação a organismos multilaterais, acusando a Unesco de promover uma agenda “woke” e “globalista”, em contraste com a política nacionalista de sua administração.
A Casa Branca afirmou que a decisão reflete a rejeição americana a pautas culturais e sociais que, segundo o governo, estariam “em desacordo com o senso comum votado pela população”. A expressão “woke”, usada de forma pejorativa, refere-se a políticas progressistas voltadas à justiça social e ao combate à discriminação.
A retirada oficial dos EUA está prevista para dezembro de 2026, e deve impactar fortemente o orçamento da Unesco, já que o país contribui com cerca de 8% de seus recursos. A diretora-geral da organização, Audrey Azoulay, lamentou a decisão, mas disse que a entidade já havia se preparado para esse desfecho.
Historicamente, os EUA já deixaram a Unesco em 1984, sob Ronald Reagan, sob alegações de má gestão e influência soviética. Retornaram apenas em 2003, com George W. Bush. Em 2011, suspenderam os repasses após a admissão da Palestina como membro pleno da agência.
A decisão atual integra uma série de medidas adotadas por Trump contra instituições multilaterais. Desde sua volta à presidência, os EUA já abandonaram a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Acordo de Paris sobre o clima, o Conselho de Direitos Humanos da ONU e encerraram a atuação da Usaid, que financiava projetos de cooperação internacional. Também romperam com o compromisso com a OCDE sobre imposto mínimo global e passaram a financiar apenas organizações humanitárias alinhadas aos interesses israelenses, como a Gaza Humanitarian Foundation.
Trump ainda ameaça retirar os EUA da Organização Mundial do Comércio (OMC) e impôs sanções ao Tribunal Penal Internacional por investigar o premiê israelense Benjamin Netanyahu por possíveis crimes em Gaza.

