O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), foi o primeiro chefe de Executivo estadual a se manifestar sobre as medidas cautelares impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Em publicação nas redes sociais nesta sexta-feira (18), Zema classificou a decisão como “mais um ato absurdo de perseguição política”.
O vice-governador do estado, Mateus Simões (Novo), também se posicionou e afirmou que o episódio representa “um novo e sombrio capítulo” do Judiciário brasileiro.
Ambos são pré-candidatos nas eleições de 2026: Zema deve disputar a Presidência da República, enquanto Simões pretende concorrer ao governo mineiro.
As medidas contra Bolsonaro foram determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes e incluem o uso de tornozeleira eletrônica, proibição de sair de casa à noite, de acessar redes sociais, de se aproximar de embaixadas e de manter contato com outros investigados.
A defesa do ex-presidente declarou ter recebido as decisões com “surpresa e indignação” e considerou as restrições “severas”.
Operação da PF e decisão do STF
Bolsonaro foi alvo de uma operação da Polícia Federal nesta sexta-feira (18). De acordo com Moraes, o ex-presidente teria confessado de forma “consciente e voluntária” uma tentativa de extorsão contra o Judiciário, em articulação com o filho, deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), para interferir em processos em andamento.
Segundo apuração dos colunistas Valdo Cruz e Andreia Sadi, a PF identificou indícios de que Bolsonaro estaria planejando uma possível fuga do país, o que motivou as ações preventivas.
Após a instalação da tornozeleira, Bolsonaro afirmou ter se sentido humilhado e negou intenção de deixar o país: “Nunca pensei em sair do Brasil ou ir para uma embaixada”.
As buscas fazem parte de um inquérito aberto no STF na última sexta-feira (11), dois dias após o anúncio de tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros.
O presidente americano, Donald Trump, justificou a medida com base no julgamento de Bolsonaro por tentativa de golpe em 8 de janeiro de 2023. Na noite de quinta-feira (17), ele divulgou nova carta com críticas à Justiça brasileira.
Segundo Moraes, Bolsonaro chegou a condicionar o fim das sanções norte-americanas à concessão de anistia a ele, durante coletiva de imprensa.
Durante a operação, a PF apreendeu um pendrive escondido em um banheiro da casa de Bolsonaro, que será periciado. Também foram encontrados cerca de US$ 14 mil e R$ 8 mil. A posse de dinheiro em espécie não é ilegal, mas valores acima de US$ 10 mil devem ser declarados à Receita Federal ao cruzar fronteiras.
De acordo com apuração da TV Globo, o inquérito investiga crimes de coação no curso do processo, obstrução de justiça e ameaça à soberania nacional.
Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos na residência do ex-presidente, em Brasília, e em locais ligados a ele no Partido Liberal (PL).

