A operação da Polícia Federal que resultou na imposição de tornozeleira eletrônica ao ex-presidente Jair Bolsonaro gerou ampla repercussão entre políticos nas redes sociais. Enquanto aliados classificaram a medida como uma humilhação, opositores celebraram a decisão como um avanço na responsabilização de Bolsonaro.
A operação incluiu mandados de busca e apreensão, e determinou que o ex-presidente utilizasse monitoramento eletrônico. A medida foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Entre os primeiros a comentar o caso, o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) destacou que a decisão foi motivada por uma representação feita por ele ao STF. Segundo o parlamentar, a denúncia apontava uma possível tentativa de fuga de Bolsonaro facilitada pelo governador Tarcísio de Freitas. “Com base nesses elementos, o ministro Alexandre de Moraes ampliou o escopo do inquérito para incluir Jair Bolsonaro e determinou as medidas cautelares. É uma vitória do Estado de Direito contra o golpismo transnacional”, afirmou.
A deputada Maria do Rosário (PT-RS), crítica histórica do ex-presidente, também se manifestou. “Não dá pra deixar esse criminoso fugir. Bolsonaro começa a ser responsabilizado por seus crimes contra o Brasil”, declarou.
Jilmar Tatto, deputado federal e secretário nacional de Comunicação do PT, publicou um vídeo em que diz estar aliviado com a medida. “Confesso que estava agoniado, com receio de ele fugir do país, como o filho dele. Golpista tem que ir para a cadeia”, disse, agradecendo ao STF.
Reações da família e aliados
Do lado oposto, os filhos do ex-presidente reagiram com indignação. Eduardo Bolsonaro afirmou que o ministro Alexandre de Moraes “redobrou a aposta” após a revelação de trocas de mensagens entre Bolsonaro e Donald Trump. Ele criticou as restrições impostas, incluindo a tornozeleira, a proibição de uso de redes sociais, deslocamento e comunicação com outros investigados.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que a situação causará “cicatrizes profundas” na família. “Proibir o pai de falar com o próprio filho é o maior símbolo do ódio que tomou conta de Alexandre de Moraes”, disse.
Já o líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante, lamentou a decisão judicial. O partido também divulgou nota assinada por seu presidente, Valdemar Costa Neto, classificando a operação como “estranha e inaceitável”. Segundo o texto, Bolsonaro “sempre esteve à disposição das autoridades”.

