Prefeitura enviou à Câmara projeto que permite a venda de sete imóveis públicos, incluindo o estádio e o Mercado Municipal.
A Prefeitura de Três Corações (MG) encaminhou à Câmara Municipal um projeto de lei que propõe a desafetação e venda de sete imóveis públicos, entre eles o Estádio Municipal Rei Pelé e o Mercado Municipal. A proposta visa retirar a destinação pública desses espaços, permitindo que sejam negociados com a iniciativa privada.
O estádio, que homenageia o tricordiano Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, ícone mundial do futebol falecido em 2022, tem capacidade para 3.800 pessoas e atualmente é utilizado apenas para competições amadoras. O nome “Rei Pelé” foi oficializado em 2023 como forma de tributo póstumo ao atleta.
A possibilidade de venda do estádio gerou críticas de moradores e especialistas, que temem o apagamento da memória esportiva local.
Justificativa da prefeitura
De acordo com a administração municipal, os sete imóveis estão avaliados em mais de R$ 29 milhões. O prefeito Dimas Abrahão (PSDB) argumenta que os recursos da venda seriam destinados a quitar dívidas e realizar investimentos em áreas prioritárias do município.
“Assumi a prefeitura com uma dívida de R$ 66 milhões. Precisamos gerar receita para fazer a cidade avançar. A prefeitura é a maior imobiliária de Três Corações”, declarou o prefeito.
A proposta está em análise pelas comissões da Câmara e ainda não tem data definida para votação em plenário.
Impactos e reações
O Mercado Municipal, também incluído na proposta, é fonte de renda para muitos trabalhadores. A atendente Alaene Montesso, que atua no local há 28 anos, expressou preocupação com o futuro:
“É muito ruim, né? Porque a gente não está preparado para parar agora. Ainda não me aposentei. Preciso trabalhar até lá.”
Como alternativa, a prefeitura afirmou ter um “plano B” para o mercado, com uma nova área já pronta para receber os comerciantes, inspirada no modelo do Mercado Municipal de Varginha.
Quanto ao estádio, a gestão municipal promete elaborar um dossiê histórico e construir um memorial em homenagem a Pelé. No entanto, moradores e representantes culturais defendem a preservação do espaço como patrimônio público.
“Estão dizendo que vão vender porque o estádio está deteriorado. Mas por que não revitalizar e usá-lo para as categorias de base, como já acontecia? Tem gente querendo investir no esporte da cidade”, destacou o artista plástico Luiz Fernando Ortiz de Oliveira.

