Medida beneficiará ativos, inativos e pensionistas e terá impacto de R$ 5,3 bilhões em 2026
Uma comissão mista do Congresso Nacional aprovou nesta terça-feira (8) a medida provisória que concede um reajuste salarial de 9% para os militares das Forças Armadas, incluindo integrantes da ativa, da reserva e pensionistas. O aumento, no entanto, ficou abaixo do percentual reivindicado pelas categorias, que chegaram a pedir até 18%.
O reajuste incide sobre o soldo, que é a base da remuneração dos militares. Com isso, o salário mais baixo passará de R$ 1.078 para R$ 1.177, enquanto o soldo de patentes mais elevadas subirá de R$ 13.471 para R$ 14.711. O valor total recebido pode ser ainda maior, já que os militares recebem gratificações e adicionais além do soldo.
A medida foi inicialmente editada pelo governo federal em março e já está em vigor desde abril, quando parte do reajuste começou a ser paga. A segunda parcela, correspondente a 4,5%, está prevista para 1º de janeiro de 2026, desde que a proposta seja aprovada pelos plenários da Câmara e do Senado até agosto, quando a validade da MP se encerra.
Segundo o Planalto, cerca de 740 mil pessoas serão beneficiadas pela medida. O impacto previsto nos cofres públicos é de R$ 3 bilhões ainda em 2025 e R$ 5,3 bilhões em 2026.
Militares queriam aumento maior
Apesar do avanço, a proposta não agradou completamente os representantes das Forças Armadas. Durante as negociações, militares defenderam percentuais mais elevados, alegando que a defasagem salarial acumulada nos últimos anos superava os 9% propostos pelo governo. Uma das sugestões levadas ao Executivo previa um reajuste de 18%.
O relator da medida na comissão, deputado Eduardo Pazuello (PL-RJ), participou de conversas com representantes do governo e do Ministério da Defesa para tentar ampliar os valores. No entanto, segundo ele, não havia margem no orçamento para atender ao pedido.
“Eu queria muito um percentual maior, mas não dá. O orçamento não comporta. Tentei alternativas, como um reajuste escalonado, mas também não foi possível”, afirmou Pazuello.
Em seu parecer, o parlamentar registrou sua insatisfação com os valores aprovados, mas destacou que não poderia alterar os percentuais fixados na medida provisória enviada pelo governo.
O Executivo argumenta que o reajuste está alinhado com o concedido a outros servidores públicos federais e tem como objetivo reduzir os impactos da inflação e a defasagem salarial acumulada nos últimos anos.

