Na manhã desta quinta-feira (3), movimentos sociais e entidades da sociedade civil intensificaram sua mobilização por maior justiça tributária no Brasil. Em São Paulo, a Frente Povo Sem Medo e o Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) ocuparam a sede do banco Itaú BBA, na Avenida Faria Lima, como parte de um ato nacional em defesa da taxação dos bilionários, bancos e casas de apostas.
A mobilização faz parte de uma campanha mais ampla lançada por mais de 70 organizações populares, que divulgaram uma carta pública defendendo mudanças profundas no sistema tributário brasileiro. Entre as principais reivindicações estão a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês e a taxação de pessoas com rendimentos acima de R$ 50 mil mensais, além do fim dos supersalários e da revisão das renúncias fiscais que, segundo o grupo, consomem 4,8% do PIB.
“O povo não vai pagar a conta”, diziam faixas erguidas durante o protesto na capital paulista. Os manifestantes apontam que os mais pobres seguem arcando com uma carga tributária desproporcional, enquanto lucros, dividendos e grandes fortunas permanecem intocados. O edifício ocupado, o mais caro do país, foi adquirido pelo banco Itaú por cerca de R$ 1,4 bilhão — símbolo, segundo os organizadores, das desigualdades que precisam ser combatidas.
A campanha também lançou o “Plebiscito Popular Por um Brasil Mais Justo”, que pretende ouvir a população até 7 de setembro sobre medidas como a reforma do Imposto de Renda, a limitação da jornada de trabalho (com o fim da escala 6×1) e a taxação dos super-ricos. Uma cartilha já foi distribuída para orientar as votações e debates em escolas, sindicatos, comunidades e espaços públicos.
Entre os signatários da carta estão o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a União Nacional dos Estudantes (UNE), a Central dos Movimentos Populares (CMP), o Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), o Dieese, entre outros. Essas organizações criticam o Congresso Nacional por, segundo elas, atuar como “guardião dos privilégios”, ao bloquear medidas que buscam distribuir melhor a riqueza nacional e proteger áreas essenciais como saúde, educação e previdência.
As ações são também uma reação ao que os movimentos enxergam como uma pressão das elites econômicas para forçar o governo a fazer cortes em programas sociais, enquanto protegem setores financeiros e militares de qualquer ajuste.
Uma nova manifestação está marcada para o dia 10 de julho, às 18h, na Avenida Paulista, em frente ao MASP, reforçando a agenda de protestos por um sistema tributário mais justo e progressivo.

