O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reafirmou nesta terça-feira (24) que está em vigor o cessar-fogo entre Israel e Irã, após uma intensa troca de ataques. A medida busca conter a escalada da guerra no Oriente Médio, agora entrando em seu 12º dia.
“Israel não atacará o Irã. Todos os aviões retornarão às suas bases, fazendo um amigável ‘aceno de avião’. Ninguém se machucará. O cessar-fogo está mantido”, escreveu Trump em sua rede social.
Apesar da declaração, o Irã nega ter aceitado oficialmente um acordo, embora tenha afirmado que não pretende retaliar novamente, desde que Israel suspenda os ataques até às 4h (horário local).
Irã e Israel seguem em alerta
As autoridades iranianas consideram que saíram vitoriosas do conflito, alegando que Israel teria apelado aos EUA por um cessar-fogo. No entanto, ambos os lados mantêm vigilância mútua e alertam para possíveis respostas a novas agressões.
Na noite de segunda-feira (23), Israel teria lançado novos ataques contra alvos em Teerã, matando civis e líderes da milícia Basij. Em resposta, o Irã disparou 14 mísseis contra bases militares israelenses nesta terça-feira. A Força de Defesa de Israel (FDI) confirmou que parte dos projéteis atingiu a cidade de Berseba, causando a morte de quatro pessoas.
O exército israelense divulgou imagens de destruição e confirmou o ataque a “dezenas de alvos militares em Teerã” com mais de 100 munições, atingindo estruturas ligadas à produção bélica.
Entre os mortos estão Mohammad Taqi Yousefvand, comandante de inteligência da Basij, e o general Meysam Rezvanpour, responsável por assuntos sociais da milícia.
Divergência sobre o cessar-fogo
Apesar do anúncio de Trump, o ministro da Defesa de Israel, Israel Kartz, acusou o Irã de romper o cessar-fogo e ordenou “respostas vigorosas”. Por outro lado, Trump reconheceu que “ambos os lados violaram” o acordo, mas ressaltou que o Irã deveria cessar os ataques primeiro.
O chanceler iraniano, Seyed Abbas Araghchi, declarou que não havia acordo formal de cessar-fogo, mas que o Irã não prosseguiria com novos ataques se Israel encerrasse suas operações até as 4h. “A decisão final será tomada posteriormente”, afirmou.
Contexto do conflito
O conflito se intensificou no dia 13 de junho, quando Israel atacou o Irã alegando que o país estaria próximo de desenvolver uma arma nuclear. No último sábado (21), os EUA atingiram três usinas nucleares iranianas — Fordow, Natanz e Esfahan.
O Irã afirma que seu programa nuclear tem fins pacíficos e que estava negociando com os EUA um novo acordo dentro dos termos do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP). No entanto, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) vinha relatando o descumprimento de obrigações técnicas por parte de Teerã.
Enquanto acusa o Irã, Israel mantém um programa nuclear não declarado desde os anos 1950, com estimativas apontando para cerca de 90 ogivas atômicas.

