O governo iraniano confirmou nesta segunda-feira (23) o lançamento de mísseis contra bases militares dos Estados Unidos no Oriente Médio, em resposta aos ataques americanos realizados no fim de semana contra instalações nucleares iranianas.
Um dos principais alvos foi a base aérea de Al-Udeid, no Catar, considerada a maior instalação militar dos EUA na região. Em nota, o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica classificou o ataque como “poderoso e destrutivo”, afirmando que a ação foi uma resposta direta à “agressão contra a integridade territorial e a soberania” do Irã.
O governo iraniano afirmou ainda que os mísseis lançados têm quantidade proporcional ao número de bombas utilizadas pelos EUA nos ataques anteriores. Além do Catar, uma base americana no Iraque também foi atingida, segundo a agência estatal iraniana Tasnim. A operação foi batizada de “Ó Abu Abdullah”, que significa “Bênçãos da vitória”.
De acordo com informações da CNN, o presidente Donald Trump está reunido na Sala de Situação da Casa Branca com o secretário de Defesa, Pete Hegseth, e o chefe do Estado-Maior Conjunto, Dan Caine, monitorando o ataque. A Reuters informou que o Irã teria alertado o Catar com antecedência, e que os EUA já estavam cientes da possibilidade de um ataque à base aérea de Al Udeid.
Como medida de segurança, o governo do Catar suspendeu temporariamente o tráfego aéreo no país e recomendou que cidadãos, residentes e turistas permaneçam em locais fechados. A embaixada dos EUA em Doha também emitiu um alerta semelhante. As autoridades cataris informaram que conseguiram interceptar os mísseis iranianos, e que não houve vítimas.
Reações dos líderes
Mais cedo, o presidente Donald Trump declarou que os ataques americanos do fim de semana “destruíram completamente” três instalações nucleares iranianas — Fordow, Natanz e Esfahan. Em publicação na rede Truth Social, ele acusou veículos como CNN, NBC e ABC News de minimizar os danos, chamando-os de “fake news”.
Já o Irã negou a destruição das usinas. Segundo o general Ebrahim Jabbari, assessor da Guarda Revolucionária, as instalações nucleares não podem ser eliminadas por “um único ataque com algumas explosões”. Em entrevista à Tasnim, ele disse que os EUA “fracassaram em atingir seus objetivos” e que a ofensiva resultou, na verdade, em maior união nacional entre os iranianos.
O confronto eleva ainda mais a tensão no Oriente Médio, em meio ao já instável cenário de conflitos envolvendo Israel, Irã e seus aliados.

