A Universidade Federal de Lavras (UFLA) desenvolveu um biorreator de baixo custo que promete revolucionar a produção de biofertilizantes, oferecendo uma alternativa viável e sustentável para pequenos e médios produtores rurais.
A novidade faz parte do projeto “Bioinsumos para a sustentabilidade econômica e ambiental de pequenos e médios agricultores”, financiado pela Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), e tem como objetivo fortalecer a autonomia no campo e reduzir os impactos ambientais da produção agrícola.
O equipamento foi projetado para criar as condições ideais ao crescimento de microrganismos benéficos, especialmente bactérias que atuam como biofertilizantes naturais — promovendo o crescimento das plantas de forma mais saudável e sem agredir o meio ambiente. Um dos principais focos são as bactérias responsáveis pela fixação biológica do nitrogênio, fundamentais em culturas como o feijão.
Tecnologia barata e acessível
Enquanto modelos comerciais de biorreatores podem custar dezenas de milhares de reais, o equipamento desenvolvido pela UFLA pode ser montado por cerca de R$ 1 mil, com materiais simples, incluindo uma panela de pressão para a esterilização.
Além do biorreator, os pesquisadores também criaram um novo meio de cultivo mais barato, usado para alimentar as bactérias. O custo caiu de R$ 2,50 para R$ 0,73 por litro, com o uso de ingredientes acessíveis como glicerol e levedo de cerveja.
Capacitação de agricultores e resultados práticos
Para testar a tecnologia na prática, a equipe da UFLA realizou oficinas com agricultores do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), no assentamento Quilombo Grande, em Campo do Meio (MG). Com acompanhamento técnico, eles produziram seus próprios bioinsumos, com qualidade superior ao exigido pelo Ministério da Agricultura.
“Quatro produtores atingiram o padrão ideal, com um bilhão de células por mililitro. Isso mostra que é possível levar ciência de qualidade ao campo”, destaca a doutoranda Marcela de Souza Pereira, uma das responsáveis pela pesquisa, ao lado de Sílvia Maria de Oliveira-Longatti, sob orientação dos professores Fátima Maria de Souza Moreira e Teotônio Soares de Carvalho.
Próximos passos
O projeto agora avança para expandir o uso do biorreator em outras regiões e incluir o cultivo de microrganismos que atuem no controle de pragas e doenças.
“Mais do que aumentar a produtividade, essa tecnologia representa um passo importante para uma agricultura mais justa, sustentável e comprometida com a segurança alimentar. Estamos colocando nas mãos dos agricultores ferramentas reais de transformação”, conclui Marcela.

