Rússia condena ataque dos EUA ao Irã e denuncia violação do direito internacional

O governo russo se manifestou neste domingo (22) com duras críticas aos ataques realizados pelos Estados Unidos contra instalações nucleares no Irã. De acordo com o Ministério das Relações Exteriores da Rússia, a ofensiva representa uma violação clara do direito internacional, da Carta das Nações Unidas e de resoluções do Conselho de Segurança da ONU.

A chancelaria russa destacou a gravidade da ação, especialmente por ter sido conduzida por um membro permanente do Conselho de Segurança. Segundo o comunicado, a operação pode ter consequências radioativas ainda não mensuradas e agrava o risco de um conflito mais amplo no Oriente Médio, uma região já marcada por instabilidade.

Moscou afirmou que os bombardeios comprometeram significativamente o regime global de não proliferação nuclear, abalando a credibilidade do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP) e dos mecanismos de fiscalização da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

A Rússia exigiu uma resposta clara da AIEA, solicitando um relatório técnico, objetivo e livre de ambiguidades políticas, a ser apresentado na próxima sessão extraordinária da entidade. O país também defendeu uma posição firme do Conselho de Segurança da ONU contra o que classificou como “ações desestabilizadoras” por parte dos EUA e de Israel.

O Itamaraty também se pronunciou, condenando com veemência os ataques israelenses e norte-americanos, por violarem a soberania do Irã e os princípios do direito internacional.

Contexto do conflito

No dia 13 de junho, Israel lançou um ataque surpresa contra o Irã, alegando que o país estaria prestes a fabricar armas nucleares. A tensão aumentou ainda mais no sábado (21), quando os EUA bombardearam três centros nucleares iranianos: Fordow, Natanz e Esfahan.

Teerã nega as acusações, reafirmando que seu programa nuclear tem fins exclusivamente pacíficos. O Irã afirma que estava em processo de negociação com os EUA para reforçar o compromisso com o TNP, mas aponta que a AIEA tem agido de forma politicamente tendenciosa sob influência das potências ocidentais.

Embora a AIEA tenha declarado que não possui provas de que o Irã esteja desenvolvendo armamento nuclear, mantém críticas quanto ao não cumprimento de certas obrigações. Em março, a inteligência dos Estados Unidos concluiu que o Irã não está construindo armas nucleares — uma posição que o presidente Donald Trump voltou a questionar recentemente.

Apesar de condenar as ambições nucleares do Irã, Israel nunca reconheceu oficialmente seu próprio arsenal, embora relatórios históricos indiquem que o país mantém um programa secreto desde os anos 1950, com capacidade estimada em cerca de 90 ogivas nucleares.