Durante reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, realizada neste domingo (22), a China fez um apelo contundente pelo fim imediato das hostilidades no Oriente Médio, após os recentes ataques dos Estados Unidos contra instalações nucleares no Irã. Representando o governo chinês, o embaixador Fu Cong classificou os bombardeios como uma violação do direito internacional e pediu um compromisso das partes envolvidas com o diálogo e a negociação.
“Os ataques realizados pelos EUA ferem os princípios da soberania, segurança e integridade territorial do Irã, além de representarem um duro golpe ao regime internacional de não proliferação nuclear”, afirmou Fu Cong, durante seu discurso na sede da ONU, em Nova York.
O diplomata destacou que a escalada militar agrava tensões na região e pode desencadear um conflito de grandes proporções. Ele também apelou a Israel e aos demais envolvidos para que declarem um cessar-fogo imediato. “Devemos proteger os civis. As verdadeiras vítimas são os inocentes. A China lamenta profundamente o número elevado de mortos no conflito”, declarou.
Fu enfatizou que o uso da força não trará paz ao Oriente Médio. Para ele, a única saída viável é por meio de negociações diplomáticas. “Ainda existem caminhos pacíficos para lidar com a questão nuclear iraniana, e esses caminhos não foram totalmente explorados”, disse.
A China, junto com Rússia e Paquistão, apresentou um projeto de resolução ao Conselho de Segurança propondo:
- cessar-fogo incondicional,
- proteção aos civis conforme o direito internacional,
- e abertura imediata de um processo de negociação.
“O Conselho não pode se omitir diante de uma crise tão grave. Tem o dever de agir para preservar a paz e a segurança global”, reforçou o embaixador.
Contexto do conflito
A atual crise teve início em 13 de junho, quando Israel lançou um ataque surpresa ao Irã, alegando que o país estava próximo de desenvolver armas nucleares. A ação expandiu o conflito já existente no Oriente Médio.
Neste sábado (21), os Estados Unidos bombardearam três instalações nucleares iranianas — Fordow, Natanz e Esfahan — alegando que o Irã poderia estar violando o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP).
Teerã nega as acusações e afirma que seu programa nuclear tem fins exclusivamente pacíficos. O país vinha conduzindo negociações com os EUA para reafirmar esse compromisso. No entanto, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) vinha relatando descumprimento de exigências por parte do Irã, embora sem provas concretas de construção de uma bomba atômica.
O governo iraniano acusa a AIEA de agir com motivações políticas, influenciada por países ocidentais como EUA, França e Reino Unido — todos apoiadores de Israel no conflito.
Em março, um relatório da inteligência dos EUA apontava que o Irã não estaria construindo armas nucleares, mas a informação foi recentemente contestada pelo presidente Donald Trump.
Apesar das críticas ao programa iraniano, Israel nunca confirmou oficialmente possuir armas nucleares, embora diversas fontes internacionais indiquem que o país mantém um arsenal estimado em cerca de 90 ogivas nucleares, desenvolvido secretamente desde a década de 1950.

