Universidade Federal de Lavras amplia testagens de vírus respiratórios pelo SUS em Minas Gerais

Diante do crescimento dos casos de síndromes respiratórias agudas graves (SRAG), especialmente entre crianças, idosos e grupos de risco, o Laboratório de Diagnóstico Molecular da Universidade Federal de Lavras (LabMol/UFLA), em Lavras (MG), ampliou sua atuação e passou a realizar exames de RT-PCR para detecção dos vírus Influenza A (incluindo H1N1), Influenza B e Vírus Sincicial Respiratório (VSR).

A unidade, vinculada à rede pública de saúde, é a única da macrorregião de Varginha a oferecer esses testes pelo Sistema Único de Saúde (SUS), tornando-se referência no diagnóstico laboratorial de SRAG em todo o Sul de Minas.

Como funciona o processo de testagem

Segundo o coordenador do laboratório, Bruno Borges, as amostras são colhidas nas unidades básicas de saúde dos municípios e encaminhadas ao LabMol. Ao chegar ao local, o material é processado e analisado por meio de técnicas de biologia molecular. Em casos positivos, os resultados são imediatamente comunicados às autoridades de saúde — estadual, regional e municipal.

“Extraímos o material genético da amostra e, se houver presença do vírus, emitimos o laudo positivo e enviamos para os órgãos de saúde responsáveis”, explicou Borges em entrevista ao g1.

Apoio contínuo à saúde pública

O LabMol foi criado em outubro de 2020, durante a pandemia de Covid-19, com o objetivo de apoiar a microrregião de Lavras. Após a emergência sanitária, passou a integrar a Rede Estadual de Laboratórios de Saúde Pública de Minas Gerais, ampliando sua atuação para diagnosticar também dengue, zika e chikungunya.

Atualmente, o laboratório atende cerca de 50 municípios mineiros, recebendo amostras diariamente das secretarias municipais de saúde.

Alerta na região sul de Minas

O Painel de Vigilância de SRAG da Secretaria Estadual de Saúde revelou que, até 13 de junho, 632 pessoas foram hospitalizadas por síndrome respiratória aguda grave no Sul de Minas. Desse total, 36 morreram, o que representa uma taxa de letalidade de 5,7%.

Esse cenário de alerta se reflete em diversas cidades da região:

  • Alfenas (MG): enfrentou superlotação no Hospital Universitário Alzira Velano;
  • Poços de Caldas (MG): solicitou mais leitos de UTI pediátrica ao Ministério da Saúde;
  • Três Corações (MG): abriu 14 leitos de UTI para casos de SRAG, após aumento de 15,8% na demanda.

O fortalecimento da rede diagnóstica, com iniciativas como a do LabMol, é essencial para conter a disseminação dos vírus respiratórios e garantir o atendimento adequado à população.