A tradicional xícara de café que acompanha as manhãs dos brasileiros está pesando cada vez mais no bolso. Questões climáticas, instabilidades globais e oscilações do mercado internacional estão fazendo o preço do café disparar, tanto na prateleira quanto na xícara do dia a dia.
Segundo dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), as condições climáticas adversas nos últimos anos — com secas intensas e geadas severas — afetaram drasticamente a produção, principalmente nos estados de Minas Gerais, São Paulo e Espírito Santo, grandes produtores nacionais.
Além disso, a demanda global pelo grão segue alta, especialmente com a recuperação econômica de países consumidores, como Estados Unidos e membros da União Europeia. O resultado é simples: menos oferta, mais procura, preço nas alturas.
Nos últimos dois anos, o preço da saca de café arábica mais que dobrou, passando de cerca de R$ 500 em 2021 para mais de R$ 1.000 em 2023, segundo o CEPEA/USP. No supermercado, o pacote de 500g que custava R$ 8 a R$ 10, hoje facilmente ultrapassa os R$ 20.
A alta reflete diretamente no consumo, e muitos brasileiros estão optando por marcas mais baratas ou reduzindo a quantidade diária. O café, que sempre foi símbolo de hospitalidade e resistência no Brasil, agora representa mais uma preocupação no orçamento das famílias.
Por ora, ainda é possível manter o ritual do cafezinho, mas se as condições climáticas e econômicas não melhorarem, a xícara sagrada corre risco de virar artigo de luxo.
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